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  • Teresa Gomes

O meu caso de amor com o Vinho do Porto


Provavelmente sabes que comecei a trabalhar no mundo dos vinhos numa loja especializada em Vinho do Porto. Foi o meu primeiro amor e hoje venho contar-te um pouco sobre ele (factos e novidades) e o “nosso” percurso ao longo de vinte e quatro anos.


Cortesia da Confraria do Vinho do Porto

A loja situada na vila de Sintra, onde comecei a trabalhar a 1 de Agosto de 1997 foi o local que proporcionou-me conhecer pessoas fantásticas entre clientes, Enólogos e Jornalistas. Uns guardo no coração porque foram contactos breves, ou pessoas que já morreram, outros tornaram-se amigos para sempre.


Lá percebi a importância de educar o cliente para este melhor desfrutar do vinho do Porto e ter uma experiência única. O armazenamento, a temperatura de consumo, o copo e muito importante a harmonização com a comida. Cursos de formação, jantares vínicos e provas de vinhos faziam parte do calendário dos eventos que organizávamos regularmente. Tempos bastante animados!


Desde que comecei a trabalhar como Escanção independente (2004) mantive o meu caso de amor com o Vinho do Porto, e para muitos clientes faço apresentações e provas, bem como o ritual de abrir garrafas de Vinho do Porto Vintage com tenaz. Muitas vezes é o momento "uau" do evento.


Assim quando recebi em 2018 o convite do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) para integrar o primeiro grupo de alunos do programa Certified Port Educator, não pensei duas vezes e lá fui eu para o Porto para uma semana de imersão em vinhos do Porto.

E passados alguns meses recebi a carta da Confraria do Vinho do Porto a informar da minha entronização em Junho de 2019.


Foi uma noite em que admito, estava um pouco nervosa...

Chegara ao Porto um par de horas antes, apenas a tempo de fazer o Check-in no hotel e depois de uma longa cerimónia, os saltos altos em nada ajudaram a ir a pé em cortejo desde o Palácio da Bolsa ao edifício da Alfândega do Porto.


Muito protocolo e rituais como se quer numa situação deste género, com discursos à medida. Porém, o baile a seguir ao jantar foi uma das noites que mais me diverti na minha vida.

O Vinho do Porto é um pouco como a cerimónia de entronização – tradição e regras, contudo no final é preciso dançar. Ora continua a ler…


A tradição

O Vinho do Porto como o conhecemos hoje, rico em grau alcoólico e doce, foi talhado ao gosto dos seus principais clientes (Ingleses) em meados do século XVIII.

Antes, era um vinho seco que sofria uma adição de aguardente directamente nas pipas antes destas embarcarem para exportação.


Hoje o método de vinificação consiste na adição de aguardente vínica durante o acto da fermentação, o que faz com esta pare de imediato. Numa proporção de um para quatro obtém-se assim um vinho fortificado rico em álcool (19-22% vol) e em açúcar residual.


Relembro que a fermentação nada mais é do que o processo de transformação dos açúcares presentes nos bagos das uvas em álcool, por parte das leveduras.



As regras

A classificação das vinhas e o local de estágio vai proporcionar “matéria prima” para variadíssimos estilos de Vinho do Porto, sejam tintos ou brancos. Desde 2008 também existe vinho do Porto rosé! E outras novidades estão para chegar…


O Vinho do Porto é sempre um vinho de lote, feito a partir de variadas castas, provenientes de uma quinta ou várias situadas na Denominação de Origem Controlada Douro desde 1756.

A maior parte dos vinhos do Porto não apresenta o ano de colheita no rotulo, por isso o que vais encontrar dentro de uma garrafa de Ruby, Tawny 20 Anos ou de um Branco Reserva é um lote de várias colheitas.


Aqui é importante que o Enólogo domine a arte de fazer os lotes, procurando em cada produção/engarrafamento criar o estilo do Vinho do Porto pretendido bem como, manter o da casa produtora.

Algumas empresas continuam a delegar esta tarefa ao adegueiro, ou seja, o responsável da adega que conhece cada pipa e seu conteúdo como mais ninguém.


Tal qual outro vinho qualquer, os vinhos passam pela aprovação e certificação do IVDP antes do engarrafamento.

O selo tradicional que atesta a veracidade e qualidade está à volta do gargalo da garrafa, passando por cima da rolha. É, contudo, provável que encontres em algumas garrafas o selo no contra rótulo também.



Vamos dançar?

Há poucas semanas chegou um desafio da Confraria do Vinho do Porto, pediram-me para partilhar como bebo Vinho do Porto no Verão. Eu respondi:


Ao final da tarde, quando ainda faltam um par de horas para o jantar, beber um Porto branco com água tónica é refrescante, além que estimula o estômago. E dá-me aquela “desculpa” para fazer uma pausa e pôr a leitura em dia.

Eis a receita do Porto & Tónica:

  • 1/3 Porto Branco Extra-seco

  • 2/3 Água Tónica

  • Meia rodela de limão

  • Gelo q.b.


Num copo alto mistura o vinho com a água tónica, adiciona o gelo q.b. e a rodela de limão no topo.

A minha recomendação, caso não aprecies sabores acídulos e amargos, opta por um Porto Fine White (doce).

Desde há poucos meses nem tenho de preocupar-me em ter todos os ingredientes em casa… ou tão pouco de estar em casa! Agora há Port Tonic em lata, pronto a beber em qualquer lado. É caso para afirmar - para onde fores, leva o Vinho do Porto contigo!


Também queres participar no desafio?

Publica uma fotografia tua com um copo de Vinho do Porto ou cocktail no Instagram ou então no Facebook. Explica a tua escolha e usa o #mysummerport e também #teresagomesomm




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