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  • Teresa Gomes

Vinho Verde - Um vinho que não é verde


A propósito do Dia da Sub-região Monção Melgaço que se celebra no próximo dia 7 de Junho, hoje vamos rumar a norte até à região Vinho Verde.

É a maior Denominação de Origem Portuguesa, ocupa cerca de 24 mil hectares, correspondendo a quase 15% da área de vinha nacional. Os vinhos brancos da casta Alvarinho são os protagonistas desta sub-região.




A Denominação de Origem Vinho Verde existe desde 1908, tendo sido regulamentada no ano de 1926. Alguns anos depois, já na década de 30, foi registada a casta Alvarinho para os vinhos de Monção e Melgaço. Geograficamente fica situada a noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro-e-Minho.


As castas, condução das videiras, solo, clima, exposição e altitude conferem aos vinhos lá produzidos características únicas, daí a importância de regulamentar e garantir a produção mantendo a regionalidade.


Já está mais do que na altura de deixar-se de dizer “hoje vou beber um verde”, em substituição” hoje vou beber um branco da região Vinho Verde”.


Alguns factos rápidos sobre Vinho Verde

  1. Vinho Verde é uma denominação de vinho, não um tipo de vinho;

  2. O vinho não tem cor verde;

  3. Os vinhos da região Vinho Verde nem sempre são feitos com uvas brancas, também podem ser feitos com uvas tintas.


É verdade que são os vinhos brancos os mais conhecidos e produzidos, no entanto, lembra-te que da região Vinho Verde podes também optar por vinhos rosé, tintos, espumantes naturais e até, no final da refeição porque não uma aguardente vínica ou bagaceira.


Em muito ajudaria a educação e esclarecimento do consumidor na listagem correta dos vinhos desta região nas Cartas de Vinhos dos restaurantes e disposição nas prateleiras dos supermercados. Conforme o tipo, devem estar, ora na secção dos brancos, tintos, etc.

Verde não é um tipo de vinho, é uma origem!


Que os vinhos apresentam tradicionalmente um estilo único e diferenciado é um facto, mas isso só justifica a razão por se ter criado uma Denominação de Origem.


Qual é o estilo dos vinhos brancos?

Os vinhos Brancos da região Vinho Verde, os mais consumidos e exportados são geralmente ligeiros, frescos, pouco alcoólicos, exuberantemente aromáticos e ainda há os que te deixam a boca um pouco doce no final. Ideais para se consumirem agora no Verão com pratos de confecção ligeira, como peixe branco grelhado, marisco cozido com a clássica maionese, pratos picantes.



Porém há um “verde” diferente - a sub-região de Monção Melgaço. Invariavelmente os seus vinhos brancos da casta Alvarinho apresentam mais atitude no copo, mais grau e complexidade, além de um final de boca seco.


Monção e Melgaço são vilas fronteiriças com uma riqueza patrimonial que quem visita (link) constacta pelos seus castelos e muralhas.

Não muito longe de importantes portos, como o de Viana do Castelo, há registos que atestam a exportação de vinhos “de Monção” para Inglaterra em pleno século XVI. Sim, muito antes do vinho do Porto!


Hoje esta sub-região tem 1730 hectares de vinha, dos quais 1340 são de Alvarinho. Estão registados na Comissão Vitivínicola Regional Vinho Verde (CVRVV) 2085 produtores de uva (viticultores) e 67 engarrafadores. Produz anualmente cerca de 10,2 milhões de litros, dos quais 85% branco, 11% tinto e 4% rosé.

Desde 2017 que há um selo que garante a autenticidade dos vinhos provenientes de Monção Melgaço.

Assim, todos os vinhos Denominação de Origem Controlada (DOC) Vinho Verde de uvas vindimadas e vinificadas na sub-região, com engarrafamento realizado por agentes económicos registados na mesma, podem usar o Selo de Garantia.


Dada a proximidade com Espanha, logo ali do outro lado do rio Minho, partilhamos algumas castas entre nós e a verdadeira origem é discutível, por isso lá também irás encontrar, por exemplo, vinhos de Albariño (Alvarinho) e Treixadura (Trajadura).


Descrevendo a Alvarinho poderei dizer que origina vinhos com uma cor mais intensa que os restantes da região, aromas bem presentes, distinto e complexo, que vão desde o marmelo, pêssego, limão ao maracujá. Na boca, vinho igualmente complexo e persistente no seu final.

A riqueza em acidez aliada ao sabor seco são o que destaca os vinhos da sub-região Monção Melgaço. Por tudo isto o potencial de longevidade em garrafa é grande.


Para ficares a saber mais sobre a sub-região e os seus vinhos na primeira pessoa, assiste nos dias 5 e 6 de Junho ao evento Monção e Melgaço Web Experience da CVRVV.


Programa disponível aqui.






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